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30/01/10 - MUDANÇAS CLIMÁTICAS E AS PERTURBAÇÕES NO CICLO DO CARBONO


O ciclo do carbono relativamente regulado foi responsável pelo equilíbrio dinâmico que o clima da Terra alcançou após centenas de milhões de anos. No entanto, durante a Revolução Industrial, que precisou da combustão de matérias fósseis carbonáceas, como o petróleo, o carvão e o gás natural, esse processo foi desestabilizado. Durante este período foram despejadas na atmosfera bilhões de toneladas de carbono que antes estavam presas sob a terra e os oceanos, modificando assim o ciclo do carbono.
Os oceanos e a biosfera absorvem o carbono da atmosfera, integrando-o novamente no solo ou precipitando-o como carbonato, assim, já assimilam quase a metade das emissões antrópicas, processo chamado de “seqüestro de carbono”.
Infelizmente, a quantidade retida nos oceanos está diminuindo como conseqüência do aquecimento global. É possível que o aumento da temperatura dos oceanos reduza a capacidade de sedimentação, diminuindo, quando não suprimindo, as correntes oceânicas responsáveis pelo depósito de sedimentos, como na Groelândia e no Pacífico.
O desmatamento das florestas e as atividades antrópicas reduzem ainda mais o capacidade compensatória da biosfera, além disso a desertificação na África, também conseqüência do aquecimento global, só acentua esse fenômeno.
O controle de nossas emissões de CO2 oferecido pela biosfera é limitado, estima-se que ela possa reciclar naturalmente cerca de 3 e 4 bilhões de toneladas de carbono por ano, quantidade que pode variar de acordo com perturbações no ciclo do carbono e com a exploração antrópica da natureza. Dessa forma é possível concluir que é inútil contar com o seqüestro de carbono para resolver o problema climático, deve-se pensar em soluções capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na fonte.
Desse modo, coloca-se em questão a distribuição de responsabilidades. O que fazer? Quem deve fazer? As nações desenvolvidas? De qualquer forma, mesmo se os cidadãos das nações desenvolvidas assumirem suas cotas de diminuição de GEE, os cidadãos das nações em desenvolvimento também devem assumir o seu papel neste esforço geral, afinal de contas o ser humano faz parte do ciclo do carbono de forma ativa e passiva e ainda não se deu conta disso.

Débora Cristina de Souza
Engenheira Ambiental
CREA- PR 104554/D


Autor(a):
Débora Cristina de Souza
ENGENHEIRA AMBIENTAL NA CIDADE DE CURITIBA-PR
Contato: debora0405@yahoo.com.br


Fonte:
Atlas do Meio Ambiente - Le Monde Diplomatique

 

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